ATIVIDADE CREPUSCULAR DE CULICÍDEOS (DIPTERA: CULICIDAE) EM ÁREA DE FLORESTA ATLÂNTICA DA REGIÃO OESTE DE SANTA CATARINA, SUL DO BRASIL

Autores

  • Elton Orlandin
  • Emili Bortolon dos Santos
  • Monica Piovesan
  • Mario Arthur Favretto
  • André Henrique Schneeberger
  • Vilmar de Oliveira Souza
  • Gerson Azulim Muller
  • Glauber Wagner

Resumo

O crepúsculo é um dos fatores que influencia na atividade hematofágica de muitos culicídeos, que encerram ou iniciam suas atividades nesse período. No entanto, fatores bióticos (e.g. hospedeiros) e fatores abióticos (e.g. temperatura, umidade) podem interferir na abundância destes. Os objetivos da pesquisa foram: identificar a culicideofauna do crepúsculo vespertino, a influência dos fatores abióticos, sazonalidade, abundância, riqueza específica e a presença de culicídeos descritos na literatura tendo potencial vetorial. A área avaliada foi um fragmento florestal (27°10’22’’S, 51°30’23’W), com 2,856 Km², inserida no bioma Mata Atlântica, em ecótono de Floresta Ombrófila Mista e Floresta Estacional Decidual, a aproximadamente 10 km do perímetro urbano de Joaçaba, Santa Catarina, Brasil. O crepúsculo foi dividido em três períodos de 30 minutos cada: pré-crepúsculo, endocrepúsculo e pós-crepúsculo. As capturas foram realizadas mensalmente, entre novembro de 2013 e outubro de 2014, com o auxílio de armadilha luminosa de Shannon e capturador de Castro. A identificação foi realizada com lupa estereoscópica utilizando literatura especializada e Ochlerotatus foi considerado gênero válido. Fatores abióticos (temperatura e umidade) foram aferidos no momento da coleta, e seus registros mensais por meio da consulta da base de dados da estação automática do Instituto Nacional de Meteorologia. O teste de Correlação de Pearson foi utilizado para correlacionar os fatores abióticos obtidos no momento da coleta, do 7º ao 15º dia precedentes das coletas, com as três espécies mais abundantes. A similaridade específica entre os períodos foi realizada por meio de análise de agrupamento do índice de similaridade de Bray-Curtis. Para os testes foi utilizado o software Past versão 2.16. Foram coletados 984 espécimes distribuídos em 13 gêneros e 23 espécies. Trichoprosopon pallidiventer (59,76%), Ochlerotatus crinifer (8,13%) e Oc. scapularis (5,89%) foram os mais abundantes. A primavera apresentou maior abundância e riqueza de espécies. O período pré-crepuscular teve a maior abundância enquanto o pós-crepúsculo a menor. O pré-crepúsculo e o endocrepúsculo apresentaram maior similaridade de espécies. Os fatores abióticos mensurados 7 e 15 dias antes das coletas não apresentaram correlação significativa para as espécies mais abundantes. Contudo, no momento da coleta, as temperaturas média e mínima apresentaram correlação positiva para Oc. scapularis (0,97; 0,99) e Tr. pallidiventer (0,96; 0,91); e a temperatura máxima para Oc. crinifer (0,98), enquanto a umidade apresentou correlação negativa para Oc. scapularis (-0,84) e Tr. pallidiventer (-0,99). Algumas das espécies mais abundantes são indicadoras de alterações ambientais por ação antrópica. A riqueza específica condiz com resultados de estudos semelhantes. Das 23 espécies coletadas, 10 possuem capacidade vetorial: Anopheles argyritarsis e An. Strodei (vetores secundários de malária), Haemagogus leucocelaenus (febre amarela silvestre), Oc. serratus s.l  (vetor secundário de febre amarela silvestre), Oc. scapularis, Coquillettidia venezuelensis, Psorophora ferox, Mansonia pseudotitillans e Ma. Titillans (encefalites) e Oc. fluviatilis (malária aviária).

Palavras-chave: Anopheles. Febre amarela. Malária. Santa Catarina. Vetores.

Downloads

Publicado

08-09-2015

Como Citar

Orlandin, E., Bortolon dos Santos, E., Piovesan, M., Favretto, M. A., Schneeberger, A. H., de Oliveira Souza, V., Azulim Muller, G., & Wagner, G. (2015). ATIVIDADE CREPUSCULAR DE CULICÍDEOS (DIPTERA: CULICIDAE) EM ÁREA DE FLORESTA ATLÂNTICA DA REGIÃO OESTE DE SANTA CATARINA, SUL DO BRASIL. Seminário De Iniciação Científica E Seminário Integrado De Ensino, Pesquisa E Extensão. Recuperado de https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/siepe/article/view/7732

Edição

Seção

Joaçaba - Pesquisa