Autobiografia e a necessária incompletude das histórias de professores

Autores

  • Janet L. Miller Teachers College, Columbia University

DOI:

https://doi.org/10.18593/r.v46i.27182

Palavras-chave:

Currículo, Autobiografia, Formação de professores

Resumo

O artigo é um convite para interrogar meu trabalho sobre autobiografia, gênero e currículo. Em diálogo com a obra de Maxine Greene, em especial com “As formas da infância relembrada”, revisito meu interesse pela autobiografia, como gênero e método, na pesquisa educacional. As questões que atraem minha atenção são os desafios que as teorias pós-estrutural, psicanalítica, pós-colonial e queer apresentam à unidade e à coerência do “eu” intacto e plenamente consciente das práticas autobiográficas ocidentais, assim como aos limites de sua representação. Argumento que a autobiografia, como uma forma de investigação educacional, seja considerada também como literatura, assumindo o potencial da literatura imaginativa de interromper, ao invés de reforçar, as versões estáticas e essencializadas de nossos “eus” e do nosso trabalho como educadores. Esse pode, a meu ver, ser o único motivo para usar a autobiografia como uma forma de investigação educacional.

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Biografia do Autor

Janet L. Miller, Teachers College, Columbia University

Janet Miller é professora emérita em English Education no Teachers College da Columbia University. Seus interesses de pesquisa envolvem a teorização do currículo feminista, construções de identidades de professores em esforços de colaboração e reforma escolar, questões de representação, especialmente em formas autobiográficas.

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Publicado

01-03-2021

Como Citar

MILLER, J. L. Autobiografia e a necessária incompletude das histórias de professores. Roteiro, [S. l.], v. 46, p. e27182, 2021. DOI: 10.18593/r.v46i.27182. Disponível em: https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/roteiro/article/view/27182. Acesso em: 19 set. 2021.

Edição

Seção

Seção temática: Uma alternativa às políticas curriculares centralizadas