Quando fundamentalismo religioso e mercado se encontram: as bases históricas, econômicas e políticas da escola sem partido

Palavras-chave: Políticas Educacionais, Escola Sem Partido (ESP), Fundamentalismo religioso, Democracia Liberal, Ultraliberalismo

Resumo

Este artigo realiza uma análise dos últimos acontecimentos políticos e sociais, vinculados à emergência e expansão do movimento Escola Sem Partido, procurando estabelecer um diálogo entre as proposituras do movimento e as nuances acontecidas na vida política e nas economias brasileira e mundial. A questão norteadora que gerou sua elaboração foi a seguinte: quais bases históricas, econômicas e políticas orientaram as ações e proposições do movimento Escola Sem Partido? Com base na interpretação marxista da história, o artigo utilizou como método o materialismo histórico e dialético. Procurou-se identificar as bases e pressupostos políticos, econômicos e históricos que sustentam as teses fundamentalistas e religiosas do movimento, relacionando-os à atual etapa da crise do sistema capitalista e a consequente ascensão da ideologia ultraliberal. O artigo conclui que a existência de movimentos como o Escola sem Partido faz parte de uma ação articulada pelos setores políticos de extrema direita que têm como propósito a desconstrução dos fundamentos da democracia liberal. Ao adotar a ideologia ultraliberal e o fundamentalismo religioso dos evangélicos neopentecostais e da Renovação Carismática Católica, o movimento procura garantir a formação de cidadãos submissos à lógica da classe dominante. Nesse contexto, a esfera educacional tornou-se uma das frentes preferenciais dos governos de extrema direita que objetivam hegemonizar ideologias e interesses das classes dominantes nas relações sociais por meio da educação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jorge Fernando Hermida, Universidade Federal da Paraíba

Doutor em Filosofia e História da Educação (UNICAMP). Professor do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) e do Mestrado Profissional em Gestão em Organizações Aprendentes (MPGOA), ambos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Referências

AGUIAR, F. Um outro socialismo é possível. Revista Carta Maior, fev. 2006. Disponível em: http://cartamaior.uol.com.br/templates/coluna. Acesso em: 5 out. 2019.

BASILIO, A. L. Escola sem Partido anuncia o fim de suas atividades. Revista Carta Capital, 19 jul. 2019. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/educacao/escola-sem-partido-anuncia-o-fim-de-suas-atividades/. Acesso em: 11 out. 2019.

BOITO JÚNIOR, A. Reforma e crise política no Brasil: os conflitos de classe nos governos do PT. São Paulo: Unicamp/Unesp, 2018.

BRASIL. Lei n. 7.800, de 10 de julho de 1989. Dispõe sobre as diretrizes orçamentárias para o ano de 1990, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 jul. 1989. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/1989_1994/L7800.htm. Acesso em: 5 out. 2019.

CASTELLS, M. Ruptura: a crise da democracia liberal. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.

CHAUÍ, M. A nova classe trabalhadora brasileira e a ascensão do conservadorismo. In: SINGER, A. et. al. Por que gritamos golpe? Para entender o impeachment e a crise política no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2016.

ESCOLA SEM PARTIDO. 16 jul. 2019. Facebook: https://www.facebook.com/escolasempartidooficial/posts/1356649304486057. Acesso em: 4 set. 2019.

FOSTER, J. B.; MAGDOFF, F. La gran crisis financiera. Causas y consecuencias. Madrid: FCE, 2009.

FRIGOTTO, G. (org.) Escola “sem” partido: esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira. Rio de Janeiro: UERJ/LPP, 2017.

FRIGOTTO, G. Escola “sem” partido. Esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira. 2. reimp. Rio de Janeiro: UERJ/LPP, 2018.

GRAMSCI, A. Introdução ao estudo da filosofia. A filosofia de Benedetto Croce. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

GRAMSCI, A. Maquiavel: notas sobre o Estado e a política. 2. ed. Trad. Carlos Nelson Coutinho et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. (Cadernos do Cárcere, v. 3.).

GRAMSCI, A. Notas sobre o estado e a política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

GRAMSCI, A. Os intelectuais e a organização da cultura. 6. ed. Tradução: Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1988. (Coleção perspectiva do homem, v. 48).

HERMIDA, J. F.; LIRA, J. de S. Estado e neoliberalismo no Brasil (1995-2018). Cadernos de Pesquisa: pensamento educacional, v. 13, n. 35, p. 38-63, set./dez. 2018a.

HERMIDA, J. F.; LIRA, J. de S. O programa escola livre em Alagoas, a crise de acumulação do capital e o fortalecimento da direita política brasileira. Revista Exitus, v. 8, n. 1, p. 141-170, jan/abr. 2018b.

HERMIDA, J. F. Socialismo e ciência da história em Karl Marx. In: ALMEIDA FILHO, A.; BARROS, V. S. de C. Novo manual de ciência política: autores modernos e contemporâneos. São Paulo: Malheiros Editores, 2008.

HOBSBAWM, E. J. A era dos extremos. O breve século XX – 1914-1991. São Paulo: Editora da UNESP, 1995.

MIGUEL, L. F. Da “doutrinação marxista” à “ideologia de gênero”: escola sem partido e as leis da mordaça no Parlamento brasileiro. Revista Direito & Práxis, v. 7, n. 15, p. 590-621, 2016.

NICOLAU, J. Prefácio. In: LEVITSKY, S.; ZIBLATT, D. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.

PEREIRA, A. C. de O. N.; LIRA, J. de S. Educação e controle de constitucionalidade: o projeto “escola livre” em Alagoas. Revista Retratos da Escola, v. 13, n. 27, p. 715-727, set./dez. 2019. Disponível em: http://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde. Acesso em: 11 out. 2019.

PÉREZ, C. Crônica dos 10 anos da crise que mudou o mundo. Especial 10 anos da crise econômica. El País de Madrid, Madrid, 13 jul. 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/07/internacional/1536333092_303809.html. Acesso em: 11 out. 2019.

PONCE, A. Educação e luta de classes. 24. ed. São Paulo: Cortez Editora, 2015.

SECCO, L. A normalização do golpe. Le Monde Diplomatique, São Paulo, p. 6-7, ago. 2018.

SAVIANI, D. História das ideias pedagógicas no Brasil. 3. ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2011.

SINGER, A. O lulismo em crise: um quebra-cabeça do período Dilma (2011-2016). São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

SOUZA, J. A classe média no espelho. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2018.

SOUZA, R. de F.; OLIVEIRA, T. F. de. A doxa e o logos na educação: o avanço do irracionalismo. In: FRIGOTTO, G. Escola “sem” Partido: esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira. Rio de Janeiro: UERJ/LPP, 2017.

TIGRES ASIÁTICOS entram em crise, em 1997, e provocam turbulência global. O Globo, 4 out. 2013. Economia. Disponível em: https://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/tigres-asiaticos-entram-em-crise-em-1997-provocam-turbulencia-global-10260624. Acesso em: 7 set. 2019.

WALLERSTEIN, I. Após o liberalismo. Em busca da reconstrução do mundo. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.

Publicado
09-06-2020
Como Citar
HERMIDA, J. F.; LIRA, J. DE S. Quando fundamentalismo religioso e mercado se encontram: as bases históricas, econômicas e políticas da escola sem partido. Roteiro, v. 45, p. 1-32, 9 jun. 2020.
Seção
Seção temática: Políticas educacionais e o avanço da nova (ou extrema?) direita