Educação das relações étnico-raciais no Brasil: paradoxos e obstáculos

Palavras-chave: Relações étnico-raciais, Políticas educacionais, Preconceito, Democracia, Educação emancipadora

Resumo

O artigo trata da educação das relações étnico-raciais, temática extremamente relevante do ponto de vista social e das políticas educacionais. O enfoque dado destaca elementos que se constituem em precondição para avançar no debate sobre o tema em instituições educativas. Fundamenta-se, aqui, a tese de que persistem na sociedade brasileira inúmeros preconceitos sociais e étnico-culturais que obstaculizam um debate transparente e democrático. Para dar conta desse desafio, destacam-se os paradoxos que perpassam a formação sociocultural e política da sociedade brasileira, algumas formas de reprodução de preconceitos raciais na atualidade e, por fim, alguns obstáculos que dificultam um diálogo e a democratização efetiva da sociedade brasileira.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Telmo Marcon, Universidade de Passo Fundo -UPF

Mestre em História pela UnB; doutorado em História Social pela PUC/SP; pós-doutorado pela UFSC. Professor e pesquisador junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Passo Fundo.

Ivan Penteado Dourado, Universidade de Passo Fundo (UPF)

Mestre em Ciências Sociais pela PUC/RS, doutorando em Educação pela Universidade de Passo Fundo/RS. Professor de Sociologia na Universidade de Passo Fundo.

Referências

BAGNO, M. Preconceito linguístico: o que é, como se faz? 31. ed. São Paulo: Loyola, 2004.

BENEVIDES, M. V. Educação para a democracia. Lua Nova, São Paulo, n. 38, p. 223-237, 1996.

BOURDIEU, P. A dominação masculina. 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

BOURDIEU, P. Distinction. Cambridge: Harvard University Press, 1984.

BOURDIEU, P.; PASSERON, J. C. La reproducion. Paris: Minuit, 1970.

BRASIL. Câmara dos Deputados. Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Rio de Janeiro, 7 dez. 1940. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1940-1949/decreto-lei-2848-7-dezembro-1940-412868-normaatualizada-pe.pdf. Acesso em: 11 abr. 2017.

BRASIL. Constituição. República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Lei n. 9.394. Estabelece as Diretrizes e Base da Educação Nacional. Diário oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996.

BRASIL. Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jan. 2003.

CARVALHO, J. M. de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a república que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

CHAUÍ, M. Brasil: mito fundador e sociedade autoritária. 5. reimp. São Paulo: Perseu Abramo, 2004.

FERNANDES, F. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Ática, 1978a. v. 1.

FERNANDES, F. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Ática, 1978b. v. 2.

FERNANDES, F. A revolução burguesa: ensaios de interpretação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

FREYRE, G. Casa Grande & Senzala. 25. ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1987.

FREYRE, G. Sobrados e Mucambos: decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1951a. v. 1.

FREYRE, G. Sobrados e Mucambos: decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1951b. v. 2.

FREYRE, G. Sobrados e Mucambos: decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1951c. v. 3.

HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. 27. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

IBGE. Característica da população e dos domicílios. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: http://www.brasileirosnomundo.itamaraty.gov.br/a-comunidade/estimativas-populacionais-das-comunidades/estimativas-do-ibge/censo-demografico-ibge-2010.pdf. Acesso em: 30 abr. 2017.

IBGE. Estatísticas históricas do Brasil. Rio de Janeiro, 1986. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/monografias/GEBIS%20-%20RJ/seriesestatisticasrestrospectivas/Volume%203_Estatisticas%20historicas%20do%20Brasil_series%20economicas_demograficas%20e%20sociais%20de%201550%20a%201988.pdf. Acesso em: 4 maio 2017.

IBGE. Rendimento médio real habitualmente recebido no trabalho principal, segundo a cor ou raça, por regiões metropolitanas. [S. l.], 2013. Disponível em: http://jornalggn.com.br/blog/rogeriobeier/ibge-negros-ganharam-57-do-salario-dos-brancos-em-2013. Acesso em: 2 jun. 2017.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Desigualdades raciais, e racismo e políticas públicas: 120 anos após a abolição. Brasília, DF, 2008. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/4729/1/Comunicado_n4_Desigualdade.pdf. Acesso em: 8 de mar. 2017.

NOGUEIRA, M. A. N.; CATANI, A. Pierre Bourdieu. Escritos em Educação. Petrópolis: Vozes, 1998.

SANTOS, B. de S. Uma sociologia das ausências e uma sociologia das emergências. In: SANTOS, B. de S. Gramática do tempo: para uma nova cultura política. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

SMARTLAB. Observatório digital do trabalho escravo no Brasil. Disponível em: https://observatorioescravo.mpt.mp.br. Acesso em: 18 jun. 2017.

SOUZA, J. A construção social da subcidadania: para uma sociologia política da modernidade periférica. 2. ed. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2012.

SOUZA, J. Ralé brasileira: quem é e como vive. 2. ed. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2016.

VIANNA, L. W. A revolução passiva: iberismo e americanismo no Brasil. Rio de Janeiro: Revan, 1997.

WAISELFISZ, J. J. A cor das vítimas. In: WAISELFISZ, J. J. Mapa da Violência 2015: Mortes Matadas por Armas de Fogo. Brasília, DF: Secretaria Geral da Presidência da República Secretaria Nacional de Juventude, 2015. Disponível em: http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2015/mapaViolencia2015.pdf. Acesso em: 5 jun. 2017.

WAISELFISZ, J. J. Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil. Brasília, DF: Secretaria Geral da Presidência da República Secretaria Nacional de Juventude, 2013. Disponível em: http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2013/mapa2013_homicidios_juventude.pdf. Acesso em: 25 maio, 2017.

Publicado
19-02-2019
Como Citar
MARCON, T.; DOURADO, I. Educação das relações étnico-raciais no Brasil: paradoxos e obstáculos. Roteiro, v. 44, n. 1, p. 1-18, 19 fev. 2019.
Seção
Seção Temática: Educação étnico-racial: desafios cotidianos para além dos aspectos legais