A obrigatoriedade da pré-escola no contexto das parcerias público-privadas

Palavras-chave: Educação Infantil, Políticas públicas, Empresariado, Materialismo histórico-dialético

Resumo

Neste texto teve-se como finalidade analisar a obrigatoriedade da pré-escola no Brasil (Lei n. 12.796/2013) e a sua relação com o aprofundamento da participação dos organismos internacionais e do empresariado “socialmente responsável” como formulador de estratégias de implementação de políticas educacionais na Educação Infantil. O percurso metodológico da pesquisa compreendeu análise documental e reconstrução histórica com base na análise crítica marxista que situa o tema estudado no processo de luta de classes. Os resultados mostraram que as parcerias público-privadas na Educação Infantil estão em processo de expansão e fortalecimento, relacionando eficiência dos gastos sociais e investimento na primeira infância. Assim, com argumentos advindos de economistas e de neurocientistas de empresas privadas “socialmente responsáveis”, a Educação Infantil poderia ser resumida a uma etapa da educação que visa ao sucesso escolar no futuro ou a uma forma de se evitar possíveis riscos sociais consequentes da situação de iniquidade social a que as crianças estão expostas.

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Biografia do Autor

Flavia de Figueiredo de Lamare, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Doutora em Políticas Públicas e Formação Humana (PPFH), pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Pedagoga/Tecnologista em Saúde Pública na Creche da Fundação Oswaldo Cruz.

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Publicado
30-08-2018
Como Citar
LAMARE, F. DE F. DE. A obrigatoriedade da pré-escola no contexto das parcerias público-privadas. Roteiro, v. 43, n. 2, p. 781-814, 30 ago. 2018.
Seção
Artigos de demanda contínua