Qualidade da informação ambiental versus rentabilidade de empresas do setor elétrico listadas no ISE

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18593/race.21762

Palavras-chave:

Qualidade da informação, Relatório de sustentabilidade, Rentabilidade, Ambiental

Resumo

A teoria dos stakeholders presume que os investimentos socioambientais resultam melhor desempenho financeiro, visto que refletem a preocupação da empresa com o meio ambiente e a sociedade. O presente estudo objetivou verificar a relação existente entre a qualidade da informação ambiental e a rentabilidade de empresas do setor de energia elétrica pertencentes ao Brasil Bolsa Balcão (B3) listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). A amostra compreendeu 10 empresas brasileiras com ações negociadas na B3 no período de 2014 a 2017. Quanto à coleta de dados, utilizou-se: o Relatório de Sustentabilidade, o modelo Global Reporting Initiative (GRI), as Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFPs) e informações econômico-financeiras extraídas no banco de dados do Sistema Economática®. A partir dos resultados evidenciou-se que as empresas têm o grau de acurácia médio ou alto, indicando boa qualidade de evidenciação. Ao aplicar a técnica estatística de regressão quantílica, percebeu-se que um maior nível de evidenciação dada pelo índice de acurácia não está associado às variáveis Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA), Lucro antes do Imposto de Renda + Disponibilidade Financeira Líquida (LAIR+DLF), Margem Bruta, Earnings Before Interest and Taxes (Margem EBIT), Margem Ebitda, Rentabilidade do Ativo (RentAt) e Retorno sobre o Investimento (ROIC). No geral, os resultados indicaram a inexistência de relação entre a rentabilidade das empresas e as ações socioambientais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ana Lúcia dos Santos, Universidade Federal Rural Do Semi-Árido - Ufersa

Especialista em contabilidade e Planejamento Tributário pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Bacharel em Ciências Contábeis (UFERSA).
Rua General Péricles, 176 - Ilha de Santa Luzia, Mossoró - RN, 59625-060

Alexsandro Gonçalves da Silva Prado, Universidade Federal Rural Do Semi-Árido - Ufersa

Mestre em Ciências Contábeis (UnB/UFPB/UFRN). Bacharel em Ciências Contábeis (UFPB).
Professor assistente da Universidade Federal Rural do Semi-árido - UFERSA
Rua Francisco Mota, 572 - Pres. Costa e Silva, Mossoró - RN, 59625-900

Caritsa Scartaty Moreira, Universidade Federal Rural Do Semi-Árido - Ufersa

Especialista em Contabilidade e Planejamento Tributário pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)
Mestre em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Professora do Magistério Superior
Rua Francisco Mota, 572 - Pres. Costa e Silva, Mossoró - RN, 59625-900

José Mauro Madeiros Veloso Soares, Universidade Federal Rural Do Semi-Árido - Ufersa

Mestre em Ciências Contabéis pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Especialista em International Financial Reporting Standards e Normas Brasileiras de Contabilidade pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
Professor do Magistério Superior
Rua Firmo José de Oliveira, 02. 59612800. Abolição. Mossoró-RN

Referências

Agência Nacional de Energia Elétrica (2006). Manual de elaboração do relatório anual de responsabilidade socioambiental das empresas de energia elétrica. http://www2.aneel.gov.br/aplicacoes/leitura_arquivo/default.cfm?idaplicacao=43

Antunes, M. A., & Procianoy, J. L. (2003). Os efeitos das decisões de investimentos das empresas sobre os preços de suas ações no mercado de capitais. Revista de Administração da Universidade de São Paulo, 38(1).

Bansal, P., & Clelland, I. (2004). Talking trash: Legitimacy, impression management, and unsystematic risk in the context of the natural environment. Academy of Management Journal, 47(1), 93-103.

Barth, M. E., McNichols, M. F., & Wilson, G. P. (1997). Factors influencing firms' disclosures about environmental liabilities. Review of Accounting Studies, 2(1), 35-64.

Beato, R. S., Souza, T. S., & Parisotto, I. R. (2009). Rentabilidade dos índices de sustentabilidade empresarial em bolsa de valores: Um estudo ISE/BOVESPA. Revista de Administração e Inovação, 6(3), 108-127.

Ben, F. (2005). Evidenciação de informações ambientais pelas empresas gaúchas. Revista Universo Contábil, 1(3), 63-80.

Beuren, I. M., Nascimento, S. D., & Rocha, I. (2013). Nível de evidenciação ambiental e desempenho econômico de empresas: Aplicando a análise envoltória de dados. Future Studies Research Journal, 5(1), 198-226.

BM&FBovespa (2019). Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/produtos/indices/indices-de-sustentabilidade/indice-de-sustentabilidade-empresarial-ise.htm

Braga, C., Sampaio, M. S. A., dos Santos, A., & da Silva, P. P. (2011). Fatores determinantes do nível de divulgação ambiental no setor de energia elétrica no Brasil. Advances in Scientific and Applied Accounting, 4(2), 230-262.

Buhr, N., & Freedman, M. (2001). Culture, institutional factors and differences in environmental disclosure between Canada and the United States. Critical Perspectives on Accounting, 12(3), 293-322.

Cavalcante, L. R. M. T., Bruni, A. L., & Costa, F. J. M. (2007). Sustentabilidade empresarial e desempenho corporativo: Uma análise do mercado brasileiro de ações. Anais do Encontro Nacional da Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Administração, Rio de Janeiro, 31.

Carneiro, C. M. B., Silva, P. P., Santos, A., & Santos, G. P. (2012). A divulgação ambiental no setor de energia elétrica brasileiro. Anais do Congresso Nacional de Excelência em Gestão, Rio de Janeiro, 8.

Castilho, R. A. A., & Vasconcelos, F. C. W. (2016). As diretrizes GRI e o perfil histórico de publicação de relatórios de sustentabilidade no Brasil e no mundo. Anais do Simpósio Internacional de Gestão de Projetos, Inovação e Sustentabilidade, São Paulo, 5.

Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. (2017). O que é GRI? Entenda tudo!. http://cebds.org/blog/o-que-e-gri/#.WbCYBtSGPIU

Cormier, D., & Magnan, M. (2015). The economic relevance of environmental disclosure and its impact on corporate legitimacy: An empirical investigation. Business Strategy and the Environment, 24(6), 431-450.

Dantas, J. A., Zendersky, H. C., Santos, S. C., & Niyama, J. K. (2005). A dualidade entre os benefícios do disclosure e a relutância das organizações em aumentar o grau de evidenciação. Revista Economia & Gestão, 5(11), 56-76.

Darnall, N., & Carmin, J. (2005). Greener and cleaner? The signaling accuracy of US voluntary environmental programs. Policy Sciences, 38(2-3), 71-90.

Dias, C. P., Lima Filho, R. N., Pinheiro, F. M. G., Silva, T. B. D. J., & Moreira, R. D. C. (2015). Evidenciação de informações socioambientais, teoria da legitimidade e isomorfismo: Um estudo com mineradoras brasileiras. Revista de Gestão e Contabilidade da UFPI, 1(1).

Dutra, R. S., & Parente, P. H. N. (2018). Desempenho ambiental e econômico: Uma análise nas empresas brasileiras. Humanas Sociais & Aplicadas, 8(21).

Elijido-Ten, E., Kloot, L., & Clarkson, P. (2010). Extending the application of stakeholder influence strategies to environmental disclosures: An exploratory study from a developing country. Accounting, Auditing & Accountability Journal, 23(8), 1032-1059.

Farias, K. T. R. (2009). A relação entre divulgação ambiental, desempenho ambiental e desempenho econômico nas empresas brasileiras de capital aberto: Uma pesquisa utilizando equações simultâneas (Tese de doutorado, Universidade de São Paulo).

Fasolin, L. B., Kaveski, I. D. S., Chiarello, T. C., Marassi, R. B., & Heinn, N. (2014). Relação entre o índice de sustentabilidade e os indicadores econômico-financeiros das empresas de energia brasileiras. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental, 18(2), 955-981.

Fidelis, J. R. F., & Cândido, C. M. (2006). A administração da informação integrada às estratégias empresariais. Perspectivas em ciência da informação, 11(3).

Figueiredo, P. A. R., Nobre, L. H. N., Nobre, F. C., Siqueira, E. S., & de Macêdo, Á. F. P. (2017). Disclosure ambiental e rentabilidade: Um estudo com empresas do setor de eletrodomésticos listadas na bovespa. Revista Gestão em Análise, 6(1/2), 159-176.

Furtado, L. L., Antonovz, T., Correa, M. D., Silva, O. A. D. P., & Panhoca, L. (2019). Relação entre Sustentabilidade e Inovação: Uma análise da legitimidade organizacional das empresas do setor elétrico brasileiro. Revista Catarinense da Ciência Contábil, 18, 2807.

Garcia, S., Cintra, Y. C., Souza Ribeiro, M., & Dibbern, B. R. S. (2015). Qualidade da divulgação socioambiental: Um estudo sobre a acurácia das informações contábeis nos relatórios de sustentabilidade. Revista Contemporânea de Contabilidade, 12(25), 67-94.

Global Reporting Initiative. (2006). Diretrizes para relatório de sustentabilidade. versão 3.0. https://www.globalreporting.org/resourcelibrary/GRI-G3-Brazilian-Portuguese-Reporting-Guidelines.pdf

Global Reporting Initiative. (2011). Diretrizes para Relatório de Sustentabilidade. https://www.globalreporting.org/resourcelibrary/Brazilian-Portuguese-G3.1.pdf

Global Reporting Initiative. (2013). Diretrizes para relatório de sustentabilidade. https://www.globalreporting.org/resourcelibrary/Brazilian-Portuguese-G4-Part-One.pdf

Gomes, F. P., & Tortato, U. (2011). Adoção de práticas de sustentabilidade como vantagem competitiva: Evidências empíricas. Revista Pensamento Contemporâneo em Administração, 5(2), 33-49.

Hoti, S., McAleer, M., & Pauwels, L. L. (2007). Measuring risk in environmental finance. Journal of Economic Surveys, 21(5), 970-998.

Janiszewski, V. J., Carrascoso, L. A., Felix Júnior, L. A., Lagioia, U. C. T., & Oliveira, M. F. J. (2017). Relação da Teoria da Sinalização com o Desempenho das Empresas a partir dos seus Indicadores de Performance de Divulgação Voluntária. Revista Contabilidade e Controladoria, 9(2).

Klann, R. C., & Beuren, I. M. (2011). Características de empresas que influenciam o seu disclosure voluntário de indicadores de desempenho. BBR-Brazilian Business Review, 8(2), 96-118.

Koenker, R. (2018). Quantreg: Quantile Regression. R package version 5.38. https://CRAN.R-project.org/package=quantreg

Koenker, R. (2005) Quantile regression. Cambridge University.

Lozano, R. (2013). Sustainability inter-linkages in reporting vindicated: A study of European companies. Journal of Cleaner Production, 51, 57-65.

Lucena, S. L., & Travassos, S. K. M. (2013). Análise comparativa dos relatórios de sustentabilidade do Global Reporting Initiative com ênfase nas empresas de capital aberto com atuação no Brasil. Veredas Favip-Revista Eletrônica de Ciências, 2(1-2).

Machado, M. R., Machado, M. A. V., & Corrar, L. J. (2009). Desempenho do índice de sustentabilidade empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo. Revista Universo Contábil, 5(2), 24-38.

Nossa, V. (2002). Disclosure ambiental: Uma análise do conteúdo dos relatórios ambientais de empresas do setor de papel e celulose em nível internacional (Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo).

Ohlson, J. A., & Kim, S. 2015. Linear valuation without OLS: The Theil-Sen estimation approach. Review Accounting Studies, 20(1):395-435.

Peixoto, E. P. A., Santos, R. R., & Luz, J. R. M. (2017). Relação da evidenciação dos gastos ambientais e desempenho econômico-financeiro de empresas potencialmente poluidoras do Brasil. Revista de Contabilidade do Mestrado em Ciências Contábeis da UERJ, 22(3), 36-53.

Porter, M. E., & Van der Linde, C. (1995). Toward a new conception of the environment-competitiveness relationship. Journal of economic perspectives, 9(4), 97-118.

Potrich, R., Sabadin, M., Angonese, R., & Pereira, A. D. S. (2017). Empresas potencialmente poluidoras: Determinantes que influenciam a divulgação voluntária de informações ambientais. Revista Ambiente Contábil, 9(2), 41-59.

Rodrigues, M. (2014). Contrasting realities: Corporate environmental disclosure and stakeholder-released information. Accounting, Auditing & Accountability Journal, 27(1), 119-149.

Rosa, F. D., Lunkes, R. J., Hein, N., Vogt, M., & Degenhart, L. (2014). Analysis of the determinants of disclosure of environmental impacts of Brazilian companies. Global Advanced Research Journal of Management and Business Studies, 3(6), 249-266.

Rosa, F. S., Ensslin, S. R., Ensslin, L., & Lunkes, R. J. (2011). Gestão da evidenciação ambiental: Um estudo sobre as potencialidades e oportunidades do tema. Engenharia Sanitária Ambiental, 16(1), 157-166.

Rover, S., Borba, J. A., Murcia, F. D. R., & Vicente, E. F. R. (2008). Divulgação de informações ambientais nas demonstrações contábeis: Um estudo exploratório sobre o disclosure das empresas brasileiras pertencentes a setores de alto impacto ambiental. Revista de Contabilidade e Organizações, 2(3), 53-72.

Rover, S., Tomazzia, E. C., Murcia, F. D. R., & Borba, J. A. (2012). Explicações para a divulgação voluntária ambiental no Brasil utilizando a análise de regressão em painel. Revista de Administração, 47(2), 217-230.

R Core Team (2020). R: A language and environment for statistical computing. R Foundation for Statistical Computing. https://www.R-project.org/

Santana, L. M., Góis, A. D., Luca, M. M. M., & Vasconcelos, A. C. (2015). Relação entre disclosure socioambiental, práticas de governança corporativa e desempenho empresarial. Revista Organizações em Contexto, 11(21), 49-72.

Sato, K. H., Silva, W., Nogas, P., & Yamashiro, A. (2010). Sustentabilidade e responsabilidade social: Análise do desempenho do índice de sustentabilidade empresarial. Perspectivas Contemporâneas, 5, 157-177.

Spence, A. M. (1973). Job market signalling. Quarterly Journal of Economics, 87(3), 355- 374.

Spence, C., Husillos, J., & Correa-Ruiz, C. (2010). Cargo cult science and the death of politics: A critical review of social and environmental accounting research. Critical Perspectives on Accounting, 21(1), 76-89.

Rezende, I. (2007). Um estudo sobre o desempenho financeiro do Índice BOVESPA de Sustentabilidade Empresarial. Anais do Encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração, Rio de Janeiro, 31.

Silva, C. R. M., Viana Júnior, D. B. C., & Lima, D. S. V. R. (2017). A teoria do disclosure à luz da teoria da sinalização: Implicações na continuidade da firma. Revista Contabilidade, Ciência Da Gestão E Finanças, 5(3), 138-151.

Silva, L. R., Mello, J. A. V. B., Gonze, N. C., & Orrico Filho, R. D. (2015). Construção de um índice-padrão e análise da performance financeira das empresas de capital aberto que atuam no setor de exploração de Rodovias. Scientia Plena, 11(3).

Sueyoshi, T., & Goto, M. (2009). Can environmental investment and expenditure enhance financial performance of US electric utility firms under the clean air act amendment of 1990? Energy Policy, 37(11), 4819-4826.

Tarr, G. (2012). Small sample performance of quantile regression confidence intervals. Journal of Statistical Computation and Simulation, 82(1), 81-94.

Downloads

Publicado

09-11-2020

Como Citar

Santos, A. L. dos, Prado, A. G. da S., Moreira, C. S., & Soares, J. M. M. V. (2020). Qualidade da informação ambiental versus rentabilidade de empresas do setor elétrico listadas no ISE. RACE - Revista De Administração, Contabilidade E Economia, 19(3), 537–566. https://doi.org/10.18593/race.21762

Edição

Seção

Artigos teórico-empíricos