“O monstro de olhos esverdeados”: gestão da inveja em uma organização educacional

  • Ricardo Ribeiro Rocha Marques Universidade Federal da Paraíba
  • Carlos Eduardo Cavalcante Universidade Federal da Paraíba
  • Tairine Vieira Ferraz Universidade Federal da Paraíba

Resumo

A inveja é um sentimento universal e atemporal. Faz parte da estrutura psíquica do ser humano e interfere em sua cultura e maneira de se organizar. A inveja ocorre quando um indivíduo pode se colocar em comparação mútua com outro, estabelecendo implicitamente uma relação de preferência (TOMEI, 1994). Neste estudo, buscou-se perceber de que maneira a inveja é caracterizada e gerenciada no contexto de uma Escola Técnica do Estado de Pernambuco a partir das abordagens de Tomei (1994) e Tomei e Belle (1997). Optou-se por estudar esse caso em virtude do momento pelo qual está passando a Instituição, que em razão de uma mudança em seu corpo diretivo, tornou-se ambiente propício ao estabelecimento de novas relações sociais. Optou-se por realizar entrevistas com a equipe gestora da Instituição em razão de ser o grupo de colaboradores com mais conhecimento sobre o modelo de gestão da Instituição e o qual tem acesso a documentos oficiais desta. Concluiu-se, por meio de uma análise de conteúdo, que a inveja é entendida como um sentimento o qual estimula comportamentos tanto individuais quanto grupais e que sua origem não é facilmente estabelecida em virtude de ser um traço muito íntimo de cada indivíduo. E, por meio de uma gestão participativa, pela avaliação do mérito e pelo estímulo ao autoconhecimento, mediante uma boa comunicação, é possível diminuir os impactos de condutas invejosas no ambiente de trabalho. Ao final, são elencadas as limitações da pesquisa e sugeridas propostas para estudos futuros.

Palavras-chave: Inveja. Escola. Práticas. Gerenciamento.

 

Abstract

 

Envy is a universal and timeless feeling. It is part of the psychic structure of the human being and interferes in its culture and way of organizing itself. Envy occurs when an individual can put himself in mutual comparison with another one, implicitly establishing a preference relationship (TOMEI, 1994). In this study, we sought to understand how envy is characterized and managed in the context of a technical school from the State of Pernambuco, Brazil, from the approaches of Tomei (1994) and Tomei and Belle (1997). It was decided to study this case because due to a change in its governing body, it became an environment conducive to the establishment of new social relations. It was decided to conduct interviews with the management team for having more knowledge about the institution's management model and access to official documents. It has been concluded through content analysis that envy is understood as a feeling which stimulates both individual and group behavior and that its origin is not easily established because it is a very intimate trait of each individual. And through participatory management, by evaluating merit and by encouraging self-knowledge, through good communication, it is possible to reduce the impacts of jealous behavior present in work environment. At the end, the limitations of the research are listed and proposals for future studies are suggested.

Keywords: Envy. School. Practices. Management.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ARAÚJO, R. M.; NASCIMENTO, T. C.; BRITO, L. M. P.; GALVÃO JUNIOR, F. M. Inveja em organizações públicas: reflexões introdutórias. Revista Diálogo, n. 24, 2014.

BECK, Nelson Germano. A inveja: um comportamento esquecido nas organizações. Revista Teoria e Evidência Econômica, v. 5, n. 10, 1998.

BEDEIAN, Arthur G. Workplace envy. Organizational Dynamics, v. 23, n. 4, p. 49-56, 1995.

BERS, Susan A.; RODIN, Judith. Social-comparison jealousy: A developmental and motivational study. Journal of Personality and Social Psychology, v. 47, n. 4, p. 766, 1984.

BINIARI, Marina G. The emotional embeddedness of corporate entrepreneurship: the case of envy. Entrepreneurship Theory and Practice, v. 36, n. 1, p. 141-170, 2012.

BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; PAGOTTO, Cecília do Prado. O estado da arte da pesquisa brasileira em Psicologia do Trabalho e Organizacional. Psic.: Teor. e Pesq. [online]. 2010, vol.26, n.spe, pp. 37-50. ISSN 0102-3772.

BRIEF, Arthur P.; WEISS, Howard M. Organizational behavior: Affect in the workplace. Annual review of psychology, v. 53, n. 1, p. 279-307, 2002.

CANEN, Alberto G.; CANEN, Ana. Challenging envy in organizations: multicultural approaches and possibilities. Business Strategy Series, v. 13, n. 5, p. 199-207, 2012.

CREPALDI, L.. A inveja no mundo atual. Revista IMES Comunicação, São Caetano do Sul, v. II, n.4, p. 60-62, 2002.

CUKIER, Rosa. Psicossociodrama da inveja: atire a primeira pedra se você puder!. Rev. bras. psicodrama, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 13-33, 2011. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-53932011000100002&lng=pt

&nrm=iso>. acesso em 30 abr. 2016.

DOGAN, Kim; VECCHIO, Robert P. Managing envy and jealousy in the workplace. Compensation & Benefits Review, v. 33, n. 2, p. 57-64, 2001.

FLACH, L. Comportamentos antiéticos nas organizações: relatos ligados a inveja, mentira, fofocas e assédio moral. In: ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 31., 2007, Rio de Janeiro –RJ.

FERREIRA, A.B.H.. Aurélio, século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3ª ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 1999.

GIL, Antônio Carlos. Estudo de caso. São Paulo: Atlas, 2009.

GRANDE, Carolina. O trabalho e o afeto: Prazer e sofrimento no trabalho dos professores da escola pública de Brasília. Dissertação. (Mestrado em Sociologia) – Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Brasília, Brasília, 2009.

JACOBY, Alessandra Rodrigues et al. Assédio moral: uma guerra invisível no contexto empresarial. Revista Mal Estar e Subjetividade, v. 9, n. 2, p. 619-645, 2009.

KLEIN, Melanie. Envy and Gratitude and Other Works 1946–1963: Edited By: M. Masud R. Khan. In: Envy and Gratitude and Other Works 1946–1963: Edited By: M. Masud R. Khan. London: The Hogarth Press and the Institute of Psycho-Analysis, 1975. p. 1-346.

MACHADO, Evelcy Monteiro; MACHADO, Larissa Monteiro. Gestão educacional: discutindo inveja nas organizações. In: MACHADO, Evelcy Monteiro; CORTELAZZO, Iolanda Bueno de Camargo (Org.). Pedagogia em debate: desafios contemporâneos. Livro Virtual. Curitiba:UTP, 2004.

PASQUINI, Nilton Cesar; BONFIM, Rita de Cássia Aparecida Busto. Classificação do sentimento inveja em 133 gestores. Revista Científica on-line-Tecnologia, Gestão e Humanismo, v. 5, n. 1, 2015.

PATIENT, D.; LAWRENCE, T.; MAITLIS, S. Understanding workplace envy through narrative fiction. Organization Studies, v. 24, n. 7, p. 1015-1044, 2003

PRADEBON, Vania Marta; ERDMANN, Alacoque Lorenzini. Sentimento presente nas relações de trabalho da enfermagem: a inveja. Rev. RENE; 3(1): 34-jan.-jun. 2002.

SILVA, José Roberto Gomes da; VERGARA, Sylvia Constant. Sentimentos, subjetividade e supostas resistências à mudança organizacional. Revista de Administração de empresas, v. 43, n. 3, p. 10-21, 2003.

TOMEI, Patrícia A. Inveja nas organizações. São Paulo: Makron Books, 1994.

TOMEI, Patrícia A.; BELLE, Françoise. Análise comparativa da gerência da inveja nas organizações brasileiras e francesas. Revista de Administração, São Paulo, v. 32, n. 1, p. 5-13, jan./mar. 1997.

VERDIANI, Glaura M. Sajovic. Um estudo sobre a inveja no ambiente organizacional. Araraquara. Dis¬sertação de mestrado-PMDRM- Centro Universitário de Araraquara, 2006.

VIDAILLET, Bénédicte. Lacanian theory's contribution to the study of workplace envy. Human relations, v. 60, n. 11, p. 1669-1700, 2007.

VRIES, M.K. A inveja, a grande esquecida dos fatores de motivação em gestão. In Chanlat, J. F.

(Org) O indivíduo na organização: dimensões esquecidas. Vol. I. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1993.

Publicado
23-03-2017
Como Citar
Marques, R. R. R., Cavalcante, C. E., & Ferraz, T. V. (2017). “O monstro de olhos esverdeados”: gestão da inveja em uma organização educacional. RACE - Revista De Administração, Contabilidade E Economia, 16(1), 283-304. https://doi.org/10.18593/race.v16i1.11531