A autocompreensão ética da espécie e o futuro da natureza humana segundo Habermas. Seria a eugenia um direito?

  • Alexandre Paludo Bressiani Bacharel em Filosofia pela Universidade de Caxias do Sul - RS
  • Paulo Cesar Nodari Universidade de Caxias do Sul - RS

Resumo

Resumo: Com o progresso e os avanços científicos em muitas áreas do saber, a ciência e a técnica, além de proporcionarem a ampliação considerável no horizonte da liberdade e da autonomia, provocam uma espécie de “encantamento da natureza interna”. No contexto eminentemente cientificizado e tecnicizado hodierno, neste trabalho objetivou-se realizar um estudo acerca do futuro da natureza humana em Habermas, a partir do texto: O futuro da natureza humana. A presente pesquisa orienta-se pelo método analítico-interpretativo e está dividida em dois momentos. Em um primeiro momento, buscou-se questionar e identificar como e em que medida a eugenia liberal poderia suscitar questões referentes à ética de espécie, isto é, poderia afetar a autocompreensão normativa de sujeitos que agem de forma livre, autônoma e responsável. Em um segundo momento, pretendeu-se apresentar a compreensão de natureza humana envolvida na argumentação habermasiana por conta da complexidade e relevância do tema no debate da eugenia liberal, a fim de questionar se esta poderia vir a tornar-se, inclusive, um direito de todos. Palavras-chave: Habermas. Ciência. Autocompreensão. Ética da espécie. Natureza humana.

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Biografia do Autor

Alexandre Paludo Bressiani, Bacharel em Filosofia pela Universidade de Caxias do Sul - RS
Bacharel em Filosofia.
Paulo Cesar Nodari, Universidade de Caxias do Sul - RS
Pós-Doutor, em Filosofia, em Bonn (Alemanha). Professor da Pós-Graduação (Mestrado) em Filosofia na Universidade de Caxias do Sul (PPGFIL-UCS).

Referências

REFERÊNCIAS

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Publicado
20-12-2016
Como Citar
Bressiani, A. P., & Nodari, P. C. (2016). A autocompreensão ética da espécie e o futuro da natureza humana segundo Habermas. Seria a eugenia um direito?. Espaço Jurídico Journal of Law [EJJL], 17(3), 869-884. https://doi.org/10.18593/ejjl.v17i3.9863
Seção
Direitos humanos e cenário internacional