Vulnerabilidade e suas implicações: alguns comentários à luz da jurisprudência de Estrasburgo sobre os requerentes de asilo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18593/ejjl.29950

Palavras-chave:

Convenção Europeia de Direitos Humanos, Tribunal Europeu de Direitos Humanos, Vulnerabilidade, Asilo

Resumo

Uma década se passou desde que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos pela primeira vez reconheceu os requerentes de asilo como “um grupo populacional particularmente desprivilegiado e vulnerável que precisa de proteção especial” (M.S.S. v. Bélgica e Grécia, 2011). Por muitos anos, esta abordagem pode ser vista como parte do paradigma de Estrasburgo no que diz respeito à proteção dos direitos e liberdades dos estrangeiros que buscam proteção internacional nos Estados Partes da Convenção Européia de Direitos Humanos. Apesar de uma mudança notável nesse paradigma (ver especialmente Ilias e Ahmed v. Hungria, 2019), a vulnerabilidade – embora agora de forma mais individualizada, em contraste com sua forma de grupo, quando a vulnerabilidade do solicitante é determinada por pertencer a uma categoria específica de pessoas ‒ ainda têm um papel a desempenhar nas avaliações do Tribunal sobre a responsabilidade dos Estados demandados em relação às violações dos direitos do demandante. O objetivo deste artigo é examinar as referências da Corte à vulnerabilidade dos requerentes de asilo, explicando a estrutura desse argumento, com especial incidência nas consequências jurídicas que lhe estão associadas à luz da jurisprudência de Estrasburgo. O artigo reconhece, pois, a vulnerabilidade como uma categoria normativa na jurisprudência de Estrasburgo, como uma qualificação que produz efeitos jurídicos concretos para as obrigações dos Estados nos termos da Convenção.

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Publicado

2021-12-22

Como Citar

Galka, K. (2021). Vulnerabilidade e suas implicações: alguns comentários à luz da jurisprudência de Estrasburgo sobre os requerentes de asilo. Espaço Jurídico Journal of Law [EJJL], 22(2), 285–300. https://doi.org/10.18593/ejjl.29950

Edição

Seção

Direitos humanos e cenário internacional