Estudo do conforto acústico das instalações da Unoesc Campus de Capinzal, SC

  • Roberta Pieri Unoesc
  • Maiara Foiato
  • Jhulis Marina Carelli
Palavras-chave: Conforto acústico, Instituição de Ensino, Ruído, Tempo de Reverberação

Resumo

Todo edifício tem como finalidade, além do resguardo, o suprimento às necessidades humanas de conforto. Em vista do propósito a que se destinam as instituições de ensino, é essencial que seus ambientes disponham de um bom desempenho acústico. Neste contexto, o ruído em excesso interfere na comunicação, gera incômodo, prejudica a concentração e atenção e, portanto, afeta a aprendizagem dos alunos.  Neste trabalho faz-se uma avaliação do desempenho acústico dos espaços da Unoesc Campus de Capinzal, considerando que se localiza próxima de uma rodovia movimentada sofrendo influência de ruídos externos. Outro fator de extrema consideração que levou a este estudo são as aulas práticas do curso de música que acontecem neste ambiente sem dispor de salas adequadas. O desenvolvimento do trabalho foi realizado por meio de: medições do ruído externo, medições do ruído interno sem ocupação, medições do ruído interno concomitante às aulas de música, medições do ruído de impacto em dois tipos de piso, caracterização dos materiais de uma sala para o cálculo do tempo de reverberação e avaliação exploratória com alunos, professores e funcionários por meio de questionários. A metodologia adotada para as avaliações do ruído interno e externo seguiu um procedimento padrão de medição em função das recomendações prescritas em normas e os dados foram comparados a valores recomendados por normas nacionais. Para os ensaios de ruído de impacto tomou-se como referência normas internacionais e os resultados comparados a limites estipulados em norma nacional. Os resultados obtidos referentes às aferições dos níveis de pressão sonora mostraram que o problema de maior predomínio é a inexistência de um espaço adequado para as aulas do curso de Música, pois as medições realizadas confirmaram que quando há aulas práticas as salas apresentam níveis de pressão sonora acima do estabelecido por norma. Constatou-se por meio de testes de ruído de impacto que o desempenho do piso com revestimento cerâmico e de carpete são insatisfatórios se comparados ao que especifica a norma brasileira de desempenho. O tempo de reverberação calculado de uma sala de aula padrão é impróprio, não atendendo a padrões internacionais e nacionais. Observou-se também que o principal ruído percebido não provém do entorno, mas é gerado pela própria edificação. As entrevistas com professores, funcionários e alunos mostraram que o ruído gerado pelas aulas práticas de música é a principal fonte de incômodo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ARAÚJO, Ana Maria Schuch. Avaliação experimental do isolamento do ruído de impacto nas frequências de 80 a 400 Hz. 2013. 129 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil e Ambiental) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2013. Disponível em: http://w3.ufsm.br/ppgec/wpcontent/uploads/Dissertacao_Ana_Maria_Schuch.pdf. Acesso em: 11 abr. 2016.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10151: Acústica – Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade – Procedimento. Rio de Janeiro, 2000.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10152: Nível de ruído para conforto acústico. Rio de Janeiro, 1987.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12179: Tratamento acústico em recintos fechados. Rio de Janeiro, 1992.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575-3: Edificações habitacionais – Desempenho Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos. Rio de Janeiro, 2013.

BISTAFA, Sylvio R. Acústica aplicada ao controle do ruído. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2011. 369 p.

COSTA, Ennio Cruz da. Acústica Técnica. São Paulo: Blucher, 2003. 123 p.

DREOSSI, Raquel Cecília Fischer; SANTOS, Teresa Momensohn. O Ruído e sua interferência sobre estudantes em uma sala de aula: revisão de literatura. Pró-Fono Revista de Atualização Científica, Barueri, v. 17, n. 2, p. 251-258, maio/ago. 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pfono/v17n2/v17n2a13.pdf. Acesso em: 31 mar. 2016.

GONÇALVES, Valéria de Sá Barreto; SILVA, Luiz Bueno da; COUTINHO, Antonio Souto. Ruído como agente comprometedor da inteligibilidade de fala dos professores, v. 19, n. 3, p. 466-476, set./dez. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/prod/v19n3/05.pdf. Acesso em: 31 mar. 2016.

MAJOLLA, Roberto. Fonte geradora de impacto padronizado: construção e qualificação. 2015. 139 p. Dissertação (Mestrado em Arquitetura, Tecnologia e Cidades) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2015. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000946640. Acesso em: 10 abr. 2016.

MURGEL, Eduardo. Fundamentos de acústica ambiental. São Paulo: Senac, 2007. 54 p.

PRÓ ACÚSTICA – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA A QUALIDADE ACÚSTICA. Manual Pró Acústica sobre a Norma de Desempenho. [S. l.: s. n.]: 2013. 32 p. Disponível em: http://ademi-al.org.br/legba/bancodemidia/arquivos/proacustica_manualnorma_nov_2013.pdf. Acesso em: 6 abr. 2016.

RABELO, Alessandra Terra Vasconcelo et al. Efeito das características acústicas de salas de aula na inteligibilidade de fala dos estudantes. Scielo, Belo Horizonte, 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S231717822014000500360&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 18 maio 2016.

VASSALO, Francisco Ruiz. Manual de caixas acústicas e alto-falantes. São Paulo: Hemus, [19--]. 161 p.

Publicado
27-05-2020
Como Citar
Pieri, R., Foiato, M., & Carelli, J. M. . (2020). Estudo do conforto acústico das instalações da Unoesc Campus de Capinzal, SC. Conhecimento Em Construção, 7(1), 83-100. Recuperado de https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/conhecconstr/article/view/23898