A CONSTRUÇÃO DO DIAGNÓSTICO SITUACIONAL DE SAÚDE DE UMA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA DE SÃO MIGUEL DO OESTE, SANTA CATARINA

  • Camila Amthauer Universidade do Oeste de Santa Catarina
  • Jessica Mayara Wolfart
  • Andressa Martins Franco da Silva
  • Dayane Eva Lebens
  • Gabrieli de Souza Moura

Resumo

Introdução: Conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais, a formação no Curso de Enfermagem é pautada no processo de aprender a aprender dentro das dimensões: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a conhecer, com vistas à formação generalista, humanista, crítica, reflexiva, política e ético-legal, a fim de exercer as atividades no cuidado de Enfermagem e atenção à saúde com senso de responsabilidade social (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018). O modelo de Estratégia Saúde da Família (ESF) trouxe uma perspectiva de atenção à saúde voltada ao estímulo contínuo do cuidado com uma prática avançada e um olhar dirigido à comunidade em sua totalidade. Para que a realização de práticas de saúde seja coerente com a comunidade, é necessário o fortalecimento da autonomia dos atores envolvidos no processo de cuidar, bem como valorizar as singularidades humanas (TOMASI; SOUZA; MADUREIRA, 2018). Para tanto, o Diagnóstico Situacional de Saúde (DSS) pode ser considerado como uma das mais importantes ferramentas de gestão, constituído por “pesquisa” das condições de saúde e risco de uma determinada população, para posteriormente planejar e programar ações (SILVA; KOOPMANS; DAHER, 2016). Trata-se de um elemento ‘chave’ de reflexão sobre o cotidiano dos serviços de saúde, sendo indispensável para a organização dos processos de trabalho das equipes de ESF, assegurando os princípios da Atenção Básica, tais como ordenação da rede, território e da população adscrita (TOMASI; SOUZA; MADUREIRA, 2018). Conforme Sperling et al. (2014), o DSS é definido como um meio de identificação e análise de uma realidade e suas necessidades, a fim de elaborar propostas de organização ou reorganização, compondo o início da fase do processo de um planejamento. Objetivo: relatar a experiência da construção de um Diagnóstico Situacional de Saúde em uma Estratégia Saúde da Família do município de São Miguel do Oeste (SC). Metodologia: Este estudo trata-se de um relato de experiência que aborda as experiências vivenciadas por acadêmicas de Enfermagem e professora supervisora durante o Estágio Supervisionado II em Saúde Coletiva, desenvolvida na 9ª fase do Curso de Enfermagem da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Tais atividades aconteceram no mês de junho de 2020. As etapas do estudo constituíram-se, inicialmente, de uma pesquisa na base de dados e-SUS Atenção Primária (e-SUS APS). O e-SUS APS é uma estratégia do Departamento de Saúde da Família para reestruturar as informações da Atenção Primária em nível nacional. Esta ação está alinhada com a proposta mais geral de reestruturação dos Sistemas de Informação em Saúde do Ministério da Saúde, entendendo que a qualificação da gestão da informação é fundamental para ampliar a qualidade no atendimento à população (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020). Foram coletados os dados por Microárea de crianças de 0 a 5 anos, gestantes, puérperas e usuários que apresentam riscos cardiovasculares, como hipertensão, diabetes, tabagismo e obesidade. Os dados foram analisados e organizados em tabelas e gráficos, com auxílio do Programa Excel. Resultados: A partir do levantamento de dados foi possível conhecer algumas características da população residente na área de abrangência da ESF, como sexo, idade, riscos para doenças cardiovasculares, o que poderá auxiliar a equipe Saúde da Família a conhecer o perfil de seus usuários, favorecendo o desenvolvimento de ações e estratégias a serem trabalhadas e o foco para o qual essas ações devem ser direcionadas. Para Tomasi, Souza e Madureira (2018), uma vantagem de realizar o DSS, é direcionar ações de promoção à saúde conforme a realidade das vulnerabilidades da população, com vistas a promover a qualidade de vida e reduzir essas vulnerabilidades e riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes, dentre os quais as condições de moradia, saúde, lazer e trabalho (TOMASI; SOUZA; MADUREIRA, 2018). Com o DSS, torna-se possível a melhor organização dos serviços ofertados para a área adscrita. Além disso, traçar um DSS permite uma melhor comunicação entre os profissionais da equipe Saúde da Família, por meio de uma linguagem padronizada, facilitando a troca de informações entre a equipe e contribuindo para a continuidade da assistência à saúde (SILVA; KOOPMANS; DAHER, 2016). A equipe multidisciplinar de Saúde da Família deve acolher,  responsabilizar-se e ser resolutiva quanto aos problemas de saúde dos usuários, utilizando relações de vínculo e capacidade de escuta para garantir a continuidade e integralidade do atendimento à população (MOREIRA, 2018). Outra vantagem em realizar o DSS diz respeito à formação dos acadêmicos e futuros profissionais enfermeiros, em que cada vez mais são exigidas noções de gestão e gerenciamento dos serviços de saúde, visto que o diagnóstico situacional de enfermagem e de saúde constitui uma ferramenta inicial do processo de planejamento e método de análise de uma realidade (LIMA et al., 2014). Esse contato é essencial aos acadêmicos durante os estágios supervisionados, facilitando sua futura atuação no mercado de trabalho. Considerações finais: Para os acadêmicos de Enfermagem é importante realizar um DSS durante a prática de estágio, pois estimula a reflexão sobre os dados para transformá-los em informações úteis e fundamentadas na realidade vivenciada por uma população. Listar os problemas, necessidades e vulnerabilidades da população com a qual se trabalha, identificar os grupos de risco, conhecer os sistemas de informação e aprender a utilizá-los, é uma forma de aproximar o acadêmico ao campo de estágio a qual está inserido e possibilitar a integração entre ensino-serviço. Ainda, foi possível conhecer de uma maneira mais ampla o processo de trabalho do enfermeiro que atua em uma Estratégia Saúde da Família, saber onde buscar informações relevantes e fidedignas de saúde, relacionar condições/doenças de saúde existentes com possíveis complicações futuras e refletir sobre possíveis estratégias a serem desenvolvidas no âmbito da promoção da saúde e prevenção de agravos. Por fim, considera-se importante a divulgação desta prática para que sirva de exemplo a outros acadêmicos e profissionais, como forma de embasar futuras práticas que podem ser significativas para a atuação do enfermeiro de Atenção Básica.

 

Referências

 

LIMA, Cássio Almeida et al. Diagnóstico situacional na unidade de saúde: uma experiência na perspectiva de graduandos em Enfermagem. Rev Eletron. Gestão e Saúde, v. 5, n. 3, p. 1109-1119, 2014. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/rgs/article/view/491/468. Acesso em: 23 Jun.2020.

MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR). Resolução nº 573, de 31 de janeiro de 2018. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/48743098/do1-2018-11-06-resolucao-n-573-de-31-de. Acesso em: 22 jun.2020.

MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR). e-SUS Atenção Primária. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: https://aps.saude.gov.br/ape/esus. Acesso em: 26 Jun.2020.

MOREIRA, Katia Fernanda Alves et al. Aprendendo, ensinando e mapeando território: vivências de acadêmicos de Enfermagem. Rev Eletron. Acervo Saúde, v. 11, n. 4, p. 1-8, 2019. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/240/164. Acesso em: 22 Jun.2020.

SILVA, Carine Silvestrini Sena Lima da; KOOPMANS, Fabiana Ferreira; DAHER, Donizete Vago. O Diagnóstico Situacional como ferramenta para o planejamento de ações na Atenção Primária a Saúde. Revista Pró-UniverSUS, v. 7, n. 2, p. 30-33, jan./jun.2016. Disponível em: http://editora.universidadedevassouras.edu.br/index.php/RPU/article/view/345. Acesso em: 22 Jun.2020.

SPERLING, Sara Gallert et al. Diagnóstico situacional de pacientes internados em uma unidade hospitalar de clínica geral. XXII Seminário de Iniciação Científica UNIJUÍ, 2014.

TOMASI, Yaná Tamara; SOUZA, Jeane Barros de; MADUREIRA, Valéria Silvana Faganello. Diagnóstico comunitário na Estratégia Saúde da Família: potencialidades e desafios. Rev Enferm. UFPE online, Recife, v. 12, n. 6, p. 1546-1553, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/230505/29180. Acesso em: 22 Jun.2020.

Palavras-chave: Serviços de Saúde Comunitária. Estratégia Saúde da Família. Saúde Pública. Enfermagem.

Publicado
30-06-2020
Como Citar
Amthauer, C., Wolfart, J. M., Silva, A. M. F. da, Lebens, D. E., & Moura, G. de S. (2020). A CONSTRUÇÃO DO DIAGNÓSTICO SITUACIONAL DE SAÚDE DE UMA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA DE SÃO MIGUEL DO OESTE, SANTA CATARINA. Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc São Miguel Do Oeste, 5, e24613. Recuperado de https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/apeusmo/article/view/24613
Edição
Seção
Área das Ciências da Vida e Saúde – Resumos expandidos