Intoxicação exógena: uma circunstância relevante na epidemiologia do suicídio

  • Jaqueline Martins Universidade do Oeste de Santa Catarina
  • Ysa Carolina Boaventura
  • Paula Brustolin Xavier

Resumo

Introdução: O suicídio é um tema de saúde pública que está associado à saúde mental e merece atenção na atualidade, haja vista o crescente número de casos que têm ocorrido em todo o mundo. Trata-se de um agravo de notificação compulsória imediata. É sabido que intercorrem casos de subnotificação, o que dificulta a análise real das ocorrências, a tomada de decisões e ações preventivas, pois há outras denominações da causa de morte, tais quais acidente automobilístico, afogamento, envenenamento acidental e “morte de causa indeterminada”. Objetivos: Avaliar o perfil epidemiológico das notificações de intoxicações exógenas por tentativa de suicídio em um município do Meio-Oeste catarinense. Metodologia: Estudo transversal descritivo, utilizando dados secundários disponibilizados na base eletrônica do DATASUS/SINAN/MS/Brasil. Baseou-se nas notificações de Intoxicação Exógena, de acordo com a circunstância da exposição/contaminação, em um munícipio com 75.048 habitantes no Meio-Oeste de Santa Catarina nos anos 2007 a 2017. Foram avaliadas as variáveis: sexo, faixa etária, escolaridade, agente tóxico e evolução. Para a análise dos dados foi utilizada a estatística descritiva. Resultados: Das 211 notificações por intoxicação exógena realizadas entre o período estudado, 146 (69,2%) foram tentativa de suicídio. Em relação ao sexo, a maior ocorrência foi nas mulheres, com 115 casos (79,0%). A faixa etária mais prevalente foi entre 20 a 59 anos, totalizando 121 casos (82,9%). No que diz respeito à escolaridade, observou-se que, do total, 64 casos (43,8 %) foram de pessoas que possuíam apenas ensino fundamental, 41 casos (28%) com ensino médio e 10 casos (6,8%) de pessoas com ensino superior. Verificou-se, ainda, que do total dos casos, 4 (2,7%) foram a óbito, evidenciando a magnitude desse agravo. Conclusões: Ponderando que os índices de suicídio crescem no Brasil mesmo com a participação no Plano de Ação em Saúde Mental, lançado em 2013 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e com as atuais campanhas de prevenção realizadas pelo governo, os dados analisados vêm de encontro com os nacionais. Medidas de prevenção que impactem na sociedade como um todo são imprescindíveis, além da necessidade de os profissionais de saúde atentarem-se para as situações que possam identificar precocemente aquele indivíduo suscetível à tentativa de suicídio. Infere-se que há necessidade de rever as políticas públicas que visam à saúde mental da população para reverter o atual quadro epidemiológico e proporcionar maior qualidade de vida à população.

Palavras-chave: Suicídio. Intoxicação. Saúde mental.

Biografia do Autor

Jaqueline Martins, Universidade do Oeste de Santa Catarina
Acadêmica de Medicina

Referências

BOTEGA, Neury José. Comportamento suicida: epidemiologia. Psicol USP , São Paulo, v. 25, n. 3, p. 231-236, dezembro de 2014. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642014000300231&lng=en&nrm=iso>. acesso em 22 de agosto de 2018. http://dx.doi.org/10.1590/0103-6564D20140004

Publicado
02-10-2018
Como Citar
Martins, J., Boaventura, Y., & Xavier, P. (2018). Intoxicação exógena: uma circunstância relevante na epidemiologia do suicídio. Anais De Medicina, (1), 67-68. Recuperado de https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/anaisdemedicina/article/view/19045
Edição
Seção
Resumos